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Considerado ‘oásis do coronavírus’, MS tem aumento na busca de casas para compra e aluguel desde março

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Segundo as autoridades de saúde, medidas adotadas em meados de março, com o fechamento do comércio, escolas e shoppings e suspensão parcial do transporte coletivo, em combate ao novo coronavírus, limitaram a circulação da doença e apontaram o estado e a capital como ‘oásis’ em meio à pandemia.

A fama se espalhou e, com isso, os corretores de imóveis comemoram o aumento de 25% na procura de casas para alugar, com clientes vindos dos grandes centros do país, como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, por exemplo. Outra fato que chama a atenção é a aquisição, por quem já mora na capital sul-mato-grossense, de chácaras e novos imóveis, geralmente maiores e em bairros com grande área verde.

“Advogada procurou casa maior para comprar logo no início da pandemia em MS — Foto: Renata Camargo/Arquivo Pessoal”“Advogada procurou casa maior para comprar logo no início da pandemia em MS — Foto: Renata Camargo/Arquivo Pessoal”

É o caso da advogada Renata Camargo, de 26 anos, que se mudou de um apartamento de 88 m² para uma casa de pouco mais de 200 m², na Vila Margarida, região nordeste da cidade. “Eu morava lá com o meu namorado e mais três cachorros. Cheguei de viagem logo que a quarentena estava começando e já comecei a procurar uma casa maior, queria ter mais comodidade e também estar em um local com mais espaço para que a Amora, Anita e Cacau não ficassem tão presas. Fiz um bom negócio”, afirmou.

A corretora responsável pela venda, Andréa Camargo, atuante há 25 anos no ramo, negociando casas de médio e alto padrão, ressaltou que aumentou muito a procura e o motivo é sempre o mesmo: busca por conforto neste período de isolamento social. “As pessoas estão procurando casas para alugar e, se possuem condições, estão comprando um imóvel sempre maior e mais confortável do qual elas possuem. Eu já atendi clientes que saíram de apartamento por conta do entra e sai nos elevadores e com tudo isso nós estamos trabalhando bastante”, ressaltou.

O atual vice-presidente do Sindicato dos Imóveis do Estado (Sindimóveis), Eduardo dos Anjos dos Santos, de 41 anos, fala que possui uma imobiliária, em sociedade, há 22 anos, sendo que, há 26 anos atua no ramo, em Campo Grande. Ele ressalta o aumento de 25% na procura por imóveis, tanto com clientes da cidade como vindo de outras cidades brasileiras.

Bairros com área verde

“Há pouco tempo nós tínhamos quatro chácaras e todas elas saíram. Da mesma forma, teve gente saindo de apartamento e indo para casa. Tinha um imóvel confortável no Parque dos Poderes, por exemplo. Nós o colocamos e, em pouco tempo, 15 pessoas apareceram interessadas nele. Eu já atendi um casal de São Paulo, uma cliente que veio de Minas Gerais para procurar moradia e estabelecer uma microempresa aqui e outro que cursa medicina no Paraguai e buscou casa por aqui até esse período passar”, avaliou.

No caso das locações, Eduardo fala que, enquanto duas casas desocupam, outras oito são ocupadas por clientes. “Aliado a tudo isso nós ainda temos a redução das taxas do banco, a documentação aprovada nos cartórios. Ou seja, tudo está fluindo”, disse.

O também corretor de imóveis Fernando Catalano dos Santos, de 38 anos, que possui há 18 anos uma imobiliária em Campo Grande e com parcerias em Dourados e Ponta Porã, na região sul do estado. “A procura realmente aumentou bastante, embora a concretização do negócio não na mesma velocidade. No nosso caso, o grande volume não é de aluguel e sim de desocupação. São pessoas que não querem se preocupar com essa renda, seja no âmbito de estudante, quando o pai manda o filho retornar para otimizar os gastos”, avaliou.

No entanto, Fernando fala de “uma tendência mundial”, que seria ter o escritório em casa, além da diminuição do espaço para residência. “É claro que é algo para quem pode, que ocorre em São Paulo, por exemplo. Aqui é diferente, acho que o mercado sul-mato-grossense ainda não absorve isso. O que acontece são pessoas consultando bastante, querendo sair do apartamento para uma boa localização. Em segundo lugar, ela vê o valor, depois a segurança, espaço, privacidade e assim por diante”, comentou.

Na flexibilização da negociação, o corretor ressalta que o valor aluguel também caiu bastante. “Posso dizer seguramente que os aluguéis estão caindo de 20% a 30%. Aqui, por exemplo, estou com uma campanha deste abril, que é a pessoa alugar um imóvel e combinar dois meses de carência com o proprietário. Eu digo: alugue o mês tal e ganha dois meses grátis. Não é simplesmente grátis, é o proprietário que está concedendo este desconto ao cliente para não ter mais prejuízos e a grande maioria aderiu sim”, explicou.

Informações do site G1