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Crochê cresce na decoração e auxilia contra o estresse

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Aniele Carvalho, 42 anos, descobriu no crochê uma forma de enfrentar o início da depressão. Com a mudança frequente de cidade por causa do emprego do marido, ela se viu com dificuldades de adaptação durante o período em que morou no Rio de Janeiro.

“Eu não me adaptei a cidade, comecei a desenvolver uma depressão e, para isso não se agravar, eu resolvi procurar um hobby. Eu sempre via as peças de max crochê, que são esses crochês feitos com malha, e resolvi tentar. Fui para o YouTube, comprei a linha e deu certo”, afirma Aniele.

O hobby permaneceu por um ano, até que Aniele trocou o Rio de Janeiro por Campo Grande.

“Eu comecei a comercializar em Campo Grande. Até então era um hobby. Hoje, não é mais uma terapia: virou o meu trabalho, e sou muito relizada por ter conseguido encontrar isso e ainda ser autodidata”, celebra.

O forte de Aniele são os organizadores de mesa, mas ela faz muito mais que isso, como bolsas, redes para gatos e porta vasos de planta. “A maioria das peças é [feita] por encomenda. Normalmente a pessoa pede uma peça e especifica se ela é quadrada, redonda, determinada cor para combinar com a decoração da casa. Faço mais peças assim”, explica.

As peças por encomenda também são o forte de Dáfini Lisboa, 31 anos, que criou há mais de um ano a Panápaná, loja na internet que comercializa as peças de decoração de três tipos: tricotin, crochê no fio de malha e amigurumi.

“Eu comecei com a minha irmã. Nós duas queríamos ter um hobby para ajudar a aliviar o estresse. Eu fiquei pesquisando bastante até que encontrei o crochê. Acho que foi o destino”, acredita.

O tricotin é uma técnica muito utilizada para formar palavras, que caiu no gosto de mães para a decoração de quartos e festas infantis. “No meu caso, meu principal público é o infantil, por ser uma decoração mais confortável. Também tem muitas pessoas jovens que vão mudar de casa e querem colocar algo diferente; chá de panela, mas as mães são o meu maior público”, explica Dáfini.

Para dar conta da demanda da Panápaná, ela precisou da ajuda de duas artesãs: Camila Carvalho e Karol Pimenta, que contribuem nas outras técnicas. A amigurumi, por exemplo, é o dos famosos polvos de maternidade, que fazem sucesso entre os recém-nascidos.

“É uma técnica de crochê japonesa, que tem essa tradição dos polvos, em que os tentáculos remetem ao cordão umbilical e transmitem mais força e conforto para o  bebê. Sempre sai bastante”, indica.

Decoração

O crochê já foi visto como uma decoração típica da casa de avós e avôs pelo mundo. Porém, nos últimos anos esses conceitos foram reformulados para uma versão mais contemporânea da técnica. “Eu acho que realmente teve essa mudança sobre o crochê e hoje ele assume essa característica mais contemporânea. Eu peguei muitas referências do Pinterest; eu gosto de tomar chá, de ler, de criar painéis no site e, de lá, eu recebi muitas referências modernas”, explica Dáfini.

Para Aniele Carvalho, 42 anos, é uma “herança maravilhosa das avós”.

*CorreioDoEstado