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De braços abertos

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A localização do Brasil nos trópicos faz com que o país seja atingido por um grande número de raios, tornando uma estátua localizada no topo de uma montanha de granito de 710 metros de altura, um claro receptor.

A cada ano, a estátua é atingida por cerca de quatro raios. de acordo com o Instituto Brasileiro de Pesquisa Espacial. A maioria não causa estragos.

Mas, recentemente, têm ocorrido tempestades mais violentas. Segundo Osmar Pinto, chefe do departamento de eletricidade atmosférica do instituto, “nos últimos anos, têm havido tempestades com mais de mil raios, o que antes não acontecia.”

“É necessário supervisionar a estrutura da estátua periodicamente e rever o sistema de para-raios.”

A estátua possui cabos condutores que cobrem a cabeça, semelhantes a uma coroa de espinhos, e de lá vão pelos braços até às mãos.

Parte das obras sendo realizadas atualmente vai levar os para-raios até a ponta dos dedos. E também será melhorado o sistema que leva os raios à terra.

Se o efeito terra for eficaz existirá um risco menor de estragos em torno do fio condutor. Mas a aterragem é difícil de ser feita se se está em cima de uma enorme rocha de granito que por sua vez não é um bom condutor de eletricidade.

Para Paolo Dal Pino, presidente para a América do Sul da fabricante de pneus Pirelli que doou R$ 1,9 mi para as obras de restauração da estátua, os raios de janeiro causaram um estrago maior do que o habitual neste tipo de incidente.

Ele diz que “um monumento deste tipo, que recebe 2 milhões de visitantes por ano – estima-se que em 2014 esse número suba para 3 milhões de pessoas – não pode sofrer estragos”.

A necessidade de consertos pode passar a ser mais frequente em consequência do envelhecimento da obra e com o agravamento das tempestades. Mas o desgaste já apagou o tom original cinza-esverdeado dos mosaicos que recobrem a superfície do monumento – é possível que daqui para a frente a estátua, gradativamente, exiba um tom mais escuro.

Olhando-se de perto, já pode ser percebido que por conta das várias obras de restauração, atualmente a estátua lembra uma colcha de retalhos com diferentes de tons de cinza, azul e verde. Futuramente, os próximos consertos deverão ser feitos com cores bem diferentes do original, ao menos que seja descoberta uma outra fonte de pedra com coloração idêntica.

Marcia, Braga, a arquiteta que comandou os trabalhos de restauração feitos em 2010, diz que não têm sido fácil encontrar o mesmo tipo de pedra. Para substituir 60 mil ladrilhos ela rejeitou 80% do material fornecido.

Ela acrescenta que “a ideia é usar uma pedra que mais se assemelhe à original pois quando se usa uma cor muito diferente o resultado estético é ruim.”

As autoridades negaram que tenham intenção de substituir todos seis milhões de ladrilhos que compõem a estátua mudando de uma vez só a cor do Cristo Redentor.

Em 2020, o monumento deve passar por mais uma renovação geral, como a última, feita em 2010. Ainda não ficou decidido quantos ladrilhos serão substituídos, mas as novas pedras deverão ser de um cor distinta, “um diferente tom de verde mais escuro”, segundo um porta-voz do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural.

“As pedras da estátua são difíceis de ser encontradas”

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