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Debate promovido pela igreja discute aborto, casamento gay e drogas

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  • Ricardo Senra
  • Da BBC Brasil em São Paulo

Legenda da foto,

Terceiro debate aconteceu na Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida

As cartas foram lançadas em primeira pessoa por bispos e jornalistas da igreja católica: drogas, casamento gay, Estado laico e aborto foram, surpreendentemente, os trunfos do debate promovido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) com os candidatos à presidência na noite de terça-feira.

Transmitido por mais de 200 rádios e pelo menos quatro canais de TV católicos, o encontro aconteceu na Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e foi mediado pelo jornalista Rodolpho Gamberini.

Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Eduardo Jorge (PV), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Luciana Genro (Psol), Marina Silva (PSB) e pastor Everaldo (PSC) precisaram se posicionar – alguns pela primeira vez – sobre assuntos polêmicos.

A adoção de temas menos conservadores em relação aos debates de eleições passadas é coerente com a postura mais “progressista” adotada pelo Papa Francisco, nomeado no início do ano passado.

As respostas dos presidenciáveis – algumas vagas, outras mais objetivas – renderam, como sempre, debates paralelos nas redes sociais.

Tiroteio

Questionada sobre violência e uso de drogas entre jovens, Marina Silva respondeu que “o combate à violência é fundamental para termos meios de combater o tráfico de drogas e de armas. Cerca de 50 mil pessoas são assassinadas por ano, a maioria jovem”.

A resposta da candidata foi alvo de críticas.

Dom João Carlos Petrini perguntou a Levy Fidelix sobre “o processo de desvalorização da família, formada por pai, mãe e filhos”.

O candidato aproveitou a senha para declarar-se contra o casamento entre pessoas nascidas com o mesmo sexo. “Os maus exemplos são uma questão crucial, a união homoafetiva destrói a família. Isso é terrível”, disse.

À socialista Luciana Genro, coube responder sobre como veria – caso fosse eleita – a relação entre Estado e religião.

“Digo com muita sinceridade que não sou uma pessoa religiosa, mas respeito todas as religiões. Não vou me converter como muitos candidatos fazem por oportunismo. O Estado laico é importante para assegurar os direitos de todas as religiões e de quem não tem religião. Sou a favor da união civil entre homossexuais. Precisamos combater a homofobia, o racismo e a transfobia”, respondeu.

A posição da candidata, que junto a Eduardo Jorge costuma repercutir muito nas redes sociais, rendeu críticas e elogios.

O médico Eduardo Jorge voltou a defender o aborto, após ser questionado por um jornalista católico.

“Não se pode deixar abandonadas 800 mil mulheres que fazem abortos no Brasil. É preciso revogar essa lei atual, criminosa e machista, que deixa mulheres morrerem e transforma elas em criminosas, mulheres que muitas vezes são católicas e evangélicas.”

Questionado sobre a regulamentação da maconha para consumo e uso medicional, o estreante em debates com presidenciáveis nestas eleições, Eymael, chegou a gritar.

“Totalmente contra. A democracia é totalmente contra a descriminalização das drogas e da maconha. A juventude é assassinada pelas drogas e armas que entram pelas fronteiras desguarnecidas desse país. A função das Forças Armadas é defender as fronteiras deste país, impedindo a entrada de drogas e armas.”

Aécio Neves precisou responder à seguinte pergunta: “Se eleito, o senhor deve aprovar o projeto de lei que prevê a criminalização da homofobia?”

A resposta foi encarada por internautas como ambígua.

“É preciso que fique claro que qualquer tipo de discriminação seja tratada como crime. Inclusive a homofobia. Essa discussão tramita no Congresso há muito tempo. Nossa posição é a seguinte: há uma resolução do STF que já é realidade, isso é pagina virada. Essa é nossa posição, bem clara, diferente de outras candidatas. O que precisamos é definir se a PL122 é o instrumento adequado, ou se encontraremos outro texto.”

Dilma Rousseff foi poupada de temas polêmicos entre religiosos.

Questionada pelo bispo Dom Guilherme Werlang, a atual presidente falou sobre redução da pobreza. Depois apresentou suas propostas sobre saúde, questionada por um jornalista.

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