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DNA acelera identificação de vítimas; Campos pode ser enterrado no domingo

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Peritos vão usar exames de DNA em todas as vítimas de acidente para acelerar identificação

Os peritos da polícia de São Paulo devem utilizar exames de DNA como seu principal recurso para identificar as vítimas do acidente aéreo que matou o candidato à Presidência Eduardo Campos, pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) na quarta-feira. O objetivo é acelerar o processo de liberação dos restos mortais.

Uma cerimônia de enterro chegou a ser prevista para o próximo domingo. Mas, os peritos de São Paulo ainda não confirmaram se os restos mortais do político serão liberados a tempo – fato que vem colaborando um clima de incerteza na corrida eleitoral.

A decisão política sobre o lançamento ou não de um substituto na candidatura de Campos deve acontecer após o enterro do candidato, segundo analistas políticos. O PSB divulgou comunicado nesta quinta-feira afirmando que o partido está em luto e só tomará decisões relacionadas ao processo eleitoral “quando julgar oportuno”.

Identificação dos corpos

A explosão da aeronave – que caiu sobre um bairro residencial em Santos após uma tentativa frustrada de pouso – fragmentou os corpos das vítimas e tornou impossível sua identificação por meio de reconhecimento.

O diretor do IML (Instituto Médico Legal), Ivan Miziara, afirmou nesta quinta-feira que os restos mortais poderiam ser identificados por meio de técnicas mais simples – como o exame de arcadas dentárias – , mas tais opções foram praticamente descartadas em detrimento dos exames de DNA. Além de Campos, outras seis pessoas morreram no acidente.

“Daria para se trabalhar (usando outras técnicas), mas levaria muito mais tempo. Com o DNA é muito mais rápido. Então como a gente tem a ideia de que o trabalho seja feito o mais rápido possível, para diminuir a dor dessas famílias, a gente está trabalhando com isso (DNA)”, afirmou.

Miziara afirmou que 50 especialistas estão trabalhando no reconhecimento dos corpos. Eles devem comparar os restos mortais encontrados no local da queda do avião com o perfil genético da família de cada vítima.

De acordo com ele, a previsão era que ainda na quinta-feira os peritos conseguiriam acabar de reunir todas as amostras genéticas de familiares necessárias para a realização dos exames. Algumas vinham sendo colhidas em São Paulo e outras estavam chegando de diferentes Estados.

Os bombeiros que trabalharam no local da queda da aeronave disseram que 90% dos restos mortais foram encontrados no primeiro dia de buscas. Algumas equipes devem continuar o trabalho na sexta-feira.

“Estamos fazendo todos os esforços para completar a investigação o mais rápido possível”, disse.

Ele afirmou porém que não há um prazo definido para a conclusão dos trabalhos. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que as identificações poderiam ser concluídas no fim de semana.

O prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB), que tem atuado como porta-voz da família do candidato, disse ter recebido a informação de que o corpo de Campos poderia ser liberado no sábado. Se isso de fato ocorrer, é possível que a cerimônia fúnebre ocorra no domingo.

Porém, Geraldo Júlio deixou claro que essas datas são apenas uma estimativa, pois nada foi confirmado.

Segundo a lei eleitoral, o PSB tem dez dias de prazo para registrar uma nova candidatura. Um dos principais nomes cotados é de Marina Silva, que figura como vice na chapa de Campos.

Drone

A investigação sobre as causas do acidente com o jato Cessna 560 XL está sendo liderada pela Aeronáutica.

A entidade afirmou que seu Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos está tentando recuperar conversas de voz entre os pilotos gravadas pela caixa-preta da aeronave – que sofreu diversas avarias na queda.

Especialistas ouvidos por órgãos de imprensa brasileiros levantaram a hipótese do jato ter colidido com um drone – um veículo aéreo não tripulado.

Isso porque a Aeronáutica havia emitido um “Notam” (aviso aos aeronavegantes) informando que seriam realizados voos de drones em uma área localizada a 20 quilômetros do aeroporto onde o jato pousaria no Guarujá entre os dias 11 e 31 de agosto.

Contudo, a assessoria de imprensa da Força Aérea afirmou em nota que não necessariamente haveria drones voando no momento do acidente. O órgão disse ainda que os voos de drones estavam previstos para acontecer em uma área “bem distante da possível trajetória realizada pelo PR-AFA no dia 13 de agosto”.

A entidade disse ainda que o solicitante da autorização (cuja identidade não foi divulgada) informou que nenhum voo de drone foi realizado no período.

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