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Econômico e ecologicamente correto, o coletor menstrual ganha espaço no mundo feminino

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Apesar da imensa maioria das mulheres menstruar todos os meses, o período menstrual ainda é tabu até mesmo em conversas de mulheres esclarecidas. Muitas sequer dizem que estão menstruadas. Falam sobre “aqueles dias” com receio. Algumas pessoas acham nojento, outras acham sujo.

Entretanto, instigadas pelos novos ventos de cuidados ecológicos e consciência do próprio corpo, as mulheres modernas vêm conhecendo novas opções para o período menstrual.

Além de resgatar hábitos tidos como ultrapassados, como calcinhas menstruais e absorventes ecológicos, elas descobriram os coletores menstruais.

Quem toma coragem para tentar e descobre esse copinho feito de silicone jura que não quer saber de outra coisa. À primeira vista ele lembra muito um cálice. Feito com silicone medicinal hipoalergênico, é altamente indicado para mulheres que sofrem com as alergias proporcionadas pelos absorventes descartáveis.

As vantagens não param aí: usar o coletor também faz bem para o meio-ambiente. Em média, uma mulher usa de oito a dez absorventes em cada período. Isso dá entre 10 mil e 15 mil unidades utilizadas da puberdade até a menopausa – e no Brasil não há reciclagem para este tipo de resíduo.

O COLETOR

Produzido em silicone medicinal, o “copinho” – como ficou conhecido – é bem molinho e de fácil uso. Ele precisa ser colocado próximo ao colo do útero, pouco dentro do canal vaginal – o início pode ser estranho, até que a mulher se acostume às dobras para que ele não saia do lugar e acabe vazando.

Aí entra o autoconhecimento: pelo toque, a mulher precisa saber a altura do colo do seu útero para descobrir o melhor coletor para a sua anatomia. O copinho não tem restrição – pode ser usado durante as atividades físicas e não precisa ser tirado na hora de fazer xixi, já que a urina sai da uretra e não de dentro do canal vaginal.

“As mulheres ficam muito preocupadas em não conseguir colocar ou tirar o coletor, mas ao adquirir o produto explico tudo certinho e mostro as vantagens”, disse. “Após o primeiro uso elas sempre me mandam o feedback e é sempre positivo, elas mesmas já indicam para uma amiga, é sucesso na certa”, afirmou a vendedora.

Para retirar o copinho é só fazer força como se fosse defecar. Ao fazer este movimento o coletor irá se remover do colo do útero. Depois disso, com o dedo indicador, basta fazer uma pinça que o vácuo será eliminado e, então, é só puxar levemente pelo meio do “copinho” e retirar.

Stefani Viana é vendedora autorizada da cidade (Foto/ Fanpage Doce Pecado)Stefani Viana é vendedora autorizada da cidade (Foto/ Fanpage Doce Pecado)

HIGIENE

Outro ponto positivo do coletor é na questão da higiene. Por exemplo, elimina-se o cheiro característico que a mulher sente quando está menstruada, já que o odor é produzido pelo sangue quando se mistura ao ar e aos produtos químicos presentes nos absorventes descartáveis. Sem química, sem cheiro. O sangue menstrual é limpo e vermelho vivo.

Para limpar o coletor é muito simples, como explica Stefani: “Depois de retirar, eu recomendo que seja durante o banho mesmo, é só lavar com água e sabão neutro, após isso ele está pronto para ser usado novamente”, afirmou ela. O coletor deve ser retirado e higienizado a cada oito ou doze horas de uso. No fim do período menstrual ele dever ser esterilizado. É recomendado que seja em um recipiente que não solte substâncias metálicas e que seja de uso exclusivo para o copinho. Basta fervê-lo durante 5 minutos e guardar na bolsinha que vem com ele no momento da compra.

ANCESTRALIDADE FEMININA RESGATADA

Além de limpo e de vermelho vivo, o sangue menstrual é altamente nutritivo e já foi, inclusive, utilizado na terra em locais de plantio.

Nos primórdios da humanidade, segundo registros históricos, havia, especialmente entre os Celtas, uma sociedade nomeada como Sociedade Matrifocal. Nela se cultuava a Deusa da vida que era simbolizada com o feminino, visto que a mulher era a responsável por gerar e nutrir os seres humanos.

As mulheres eram responsáveis por gerar a vida, enquanto os homens tinham o papel da caça. Ambos tinham papel importante e o mantra era a igualdade.

Durante o período menstrual das mulheres, o sangue era deitado sobre a terra, já que o resíduo menstrual é rico em nutrientes como nitrogênio, o potássio e o fósforo, fertilizantes essenciais para as plantas.

“Nós vivemos em uma sociedade que nos faz acreditar que o sangue menstrual é algo sujo, algo que devemos esconder e nos livrar o mais rápido possível, como se fosse lixo. Os absorventes descartáveis possuem componentes químicos pesados que, ao entrar em contato com o sangue menstrual, geram uma reação química de cheiro forte e bem desagradável. Sem estes componentes químicos, não sentiríamos cheiro ruim algum”, explicou Stefani.

PLANTAR A LUA

Com a possibilidade de ter acesso ao sangue limpo colhido na menstruação, muitas mulheres estão experimentando o ritual ancestral de “plantar a Lua”.

No início deste ano, a atriz Bianca Bin, que interpretou Clara na novela O Outro Lado do Paraíso (TV Globo), postou no Instagram sobre o hábito. “É uma forma de fechar o ciclo. Mudou minha relação com meu corpo e com me entender mulher. O universo é uma grande potência feminina e é com essa força que busco me conectar sempre”, postou ela.

A atriz Bianca Bin incentivou suas seguidoras a plantarem a lua (Foto: Reprodução/Facebook)A atriz Bianca Bin incentivou suas seguidoras a plantarem a lua (Foto: Reprodução/Facebook)

Inspirada nos registros históricos, Stefani também resgata este ritual entregando sementes para quem adquire o coletor. “É uma forma de manter o sagrado feminino vivo entre as mulheres, para elas sentirem que a mulher pode tudo e seu corpo é um templo e que nele tudo pode florescer”, afirmou.

Stefani entrega as sementinhas de flores ou frutas para suas clientes Stefani entrega as sementinhas de flores ou frutas para suas clientes “Plantar a lua” (Foto/Arquivo Pessoal)

*PerfilNews