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Eliminatórias servem de alerta para o Brasil · Notícia · Máquina do Esporte

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A menos de 15 dias para o término do prazo de votação na Câmara da MP 984, que muda a regulamentação da venda dos direitos de transmissão do esporte brasileiro, o país tem a chance de entender o enorme risco que as entidades esportivas correm se a nova lei prosperar sem ter uma profunda reforma de pensamento e atitude dos dirigentes brasileiros.

A falácia promovida pela Live Mode em associação com alguns clubes no projeto “Futebol Mais Livre” é facilmente desmascarada com o que acontece agora nas Eliminatórias para a Copa do Mundo no mercado brasileiro. De nada adianta separar a venda dos direitos para o clube mandante se não houver uma união de TODOS os times para negociar a venda de seus pacotes de jogos.

O que acontece nas Eliminatórias é o Futebol Mais Livre na sua essência.

Assim como cada clube pode negociar com quem bem entender, cada emissora só vai fazer acordo com quem lhe dá melhor retorno do negócio. A baboseira de que 18 clubes podem se unir e deixar dois de fora cai por terra na proporção 8 para 2 vivida na Conmebol.

Só Brasil e Argentina faturaram com a venda de direitos das Eliminatórias no país – Foto: Getty Images

Por mais que as seleções tenham se unido para negociar em bloco, quem determina o valor a ser pago pelo torneio, nesse caso, é unicamente a TV. E, sem ter nada a oferecer de atrativo a não ser oito jogos da seleção brasileira como visitante, as seleções perdem dinheiro.

Quem fatura com isso muito provavelmente é a plataforma de streaming que vai oferecer a venda de um só jogo para o torcedor e ganhar no volume de compra avulsa um dinheiro que nunca havia conseguido fazer. E o esporte?

Para os adoradores das meias-verdades, isso não é uma defesa à Globo ou à manutenção do status quo. É a tentativa de mostrar que a mudança, que precisa acontecer, não pode ser feita no atropelo, sem entender o negócio.

A fórmula é simples. Negociação coletiva do evento ao vivo, uso individual de outros produtos (gols, melhores momentos, jogos em delay em plataformas próprias, segmentação de mídias, etc.). É como fazem as ligas americanas há 60 anos. É como a Premier League passou a ser a liga de futebol com maior valorização de direitos de transmissão.

Não é o direito de venda ser do mandante que faz essas ligas faturarem. Isso é ótimo para gerar produtos secundários. As Eliminatórias são um bom alerta para o mercado do futebol brasileiro.

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