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Estados Unidos reabrem mercado para a carne bovina in natura do Brasil

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 ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciou que os Estados Unidos decidiram reabrir mercado para a carne bovina in natura produzida pelo Brasil. As vendas deste produto estavam suspensas desde junho de 2017.

O governo dos Estados Unidos confirmou a informação. Segundo o Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos (FSIS, na sigla em inglês), o Brasil cumpriu os requisitos para a reabertura de mercado.

De acordo com o governo brasileiro, os frigoríficos poderão enviar o produto derivado de animais abatidos a partir desta sexta. Antes da primeira remessa, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do ministério (Dipoa) deve enviar uma lista atualizada de estabelecimentos certificados.

O presidente da associação que representa os exportadores do setor (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, comemorou a decisão e disse que agora é preciso avaliar em que condições se dará essa reabertura.

Segundo o Valor Econômico, 21 abatedouros serão autorizados a vender para os EUA.

Os Estados Unidos compraram em 2018 o equivalente a US$ 5 bilhões em carne bovina in natura.

Entre janeiro e junho de 2017, último semestre em que o Brasil podia vender para os americanos, os frigoríficos brasileiros negociaram US$ 56,3 milhões do produto para os EUA.

O mercado americano é considerado um “selo de qualidade” para a carne. Isso significa que, ao atender aos requisitos dos Estados Unidos, o produto consegue uma entrada mais fácil em outros países.

 

Idas e vindas

As exportações estavam suspensas desde junho de 2017, quando os americanos encontraram reações (abcessos) provocadas no rebanho pela vacina contra a febre aftosa, o que não é permitido.

A autorização para venda de carne in natura para os Estados Unidos havia sido obtida em 2015 após 15 anos se limitando a vender apenas carne cozida.

Desde o último embargo, o Ministério da Agricultura vem tomando medidas para acessar novamente o mercado americano, como mudar a composição da vacina.

Em março de 2019, durante visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, o governo brasileiro estava animado com a possibilidade de reabertura.

Em junho, uma missão veterinária dos Estados Unidos esteve no Brasil para inspecionar frigoríficos de bovinos e suínos. Mas, em novembro, os americanos decidiram manter o veto à carne bovina in natura brasileira.

Semanas depois, a ministra Tereza Cristina foi negociar pessoalmente com o governo dos EUA. A missão americana retornou no início de janeiro deste ano e fez nova avaliação, desta vez com resultado positivo para o Brasil.

No comunicado encaminhado ao Ministério do Agricultura, o serviço de inspeção sanitária dos Estados Unidos disse que o Brasil corrigiu os problemas sistêmicos que levaram à suspensão e está restabelecendo a elegibilidade das exportações de carne bovina in natura para o país.

 

Exportações recordes

As exportações brasileiras de carne bovina bateram recorde em volume e faturamento em 2019, de acordo com a Abiec.

Impulsionado pela demanda chinesa, causada por um surto de peste suína africana, que dizimou rebanhos e diminuiu a oferta de carne no país, os volumes negociados alcançaram 1,84 milhão de toneladas e a receita US$ 7,59 bilhões.

Resumo das exportações de carne bovina em 2019:

  • Faturamento: US$ 7,59 bilhões (+15,5%);
  • Total exportado: 1,84 milhões de toneladas (+12,4%);
  • Principais destinos: China, Hong Kong, União Europeia e Egito.

As vendas recordes de carne no Brasil provou uma disparada de preços no ano passado, subindo mais de 30% no ano e influenciando a inflação oficial do país.