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O favorito e o defensor dos índios – POLÍTICA

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Estamos na véspera do início da campanha eleitoral de 2020, amanhã os candidatos a prefeito, vice-prefeito e candidatos a vereador podem finalmente pedir votos oficialmente. Marechal Cândido Rondon passa por um momento delicado na luta contra a pandemia do novo coronavírus, o número de infectados cresce diariamente em toda região oeste e isso alimenta a insegurança de eleitores e dos candidatos. A política rondonense sempre foi do corpo a corpo, aqui o aperto de mão sempre foi um símbolo e um item fundamental numa campanha eleitoral.

Os eleitores estarão receosos em receber candidatos que vão andar por todo município e invariavelmente vão apertar mãos e dialogar de pertinho com muita gente e os candidatos também estarão receosos, pois caso sejam infectados e desenvolvam os sintomas da Covid19 terão que permanecer em quarentena por até 14 dias, praticamente um terço da campanha. As redes sociais serão então fundamentais, os mais cautelosos e novos na política farão uso excessivo das redes e os mais antigos vão apostar na receita de sempre e correrão maiores riscos para garantir a vitória em 15 de novembro.

Na coluna publicada no último sábado (19), analisei o “racha na oposição” e fiz comentários sobre a construção do campo oposicionista para essas eleições. Hoje vou me dedicar a analisar o campo situacionista e a oposição da oposição afim de traçar um panorama geral da disposição das peças no tabuleiro da política rondonense.

Acompanhei de perto todas as convenções eleitorais, fiz questão de estar presente para sentir o clima de cada agremiação em um momento decisivo dentro do período eleitoral. Acompanhar de perto esses fóruns internos dos partidos nos dá a dimensão dos planos e evidência as lideranças que impulsionam esses projetos de administração pública que serão referendados ou não pelos eleitores rondonenses.

O campo situacionista representado pelo atual prefeito Marcio Rauber (DEM), confirmou mais uma vez o seu favoritismo, para além da boa avaliação junto à comunidade rondonense, Marcio reuniu um grupo de lideranças extremamente representativo nas convenções dos partidos de sua base, a convenção contou com a presença do deputado Hussein Bakri, líder do governo do estado na Assembleia Legislativa, quem também esteve presente foi o secretário de estado da Administração o deputado Marcel Micheletto entre outros prefeitos da região que vieram dar apoio aos candidatos situacionistas.

Não bastasse a boa avaliação e o apoio de lideranças ligadas ao governador do estado, Marcio ainda conta com a desarticulação da oposição, que aumentou exponencialmente a suas chances de vitória no dia 15 de novembro. Marcio Rauber caminha para registrar a maior votação da história e com maior diferença para o segundo colocado. Essa análise não parte de um “achismo”, parte necessariamente das condições reais colocadas nessas eleições, para além do amplo apoio já nominado aqui, a coligação situacionista tem o maior número de candidatos a vereador neste pleito, 33 candidaturas no total.

Quem conhece Marcio Rauber sabe que os números são presença constante na vida do professor de matemática, mas os números também são muito importantes para o político. Entrevistei o prefeito no Café&Política por três oportunidades esse ano em todas as oportunidades debatemos em “off” sobre os números das eleições, tanto para majoritária quanto para as eleições proporcionais. Entre convergências e divergências no debate, é possível afirmar que as chances da coligação situacionista eleger maioria no legislativo municipal é muito grande e vai variar de 7 a 9 vereadores eleitos.

O partido do prefeito não apresentou chapa completa, o DEM terá 17 candidatos, quem quer se eleger nessa chapa tem que almejar chegar aos 1.000 votos. O democratas conta com um fenômeno de votos, o vereador Gordinho do Suco e tem lideranças como Pedro Rauber que está buscando o seu nono mandato, ainda tem mais 3 vereadores que buscam a reeleição e algumas lideranças que se destacaram no governo e agora disputarão as eleições, caso do ex-secretário de esportes Cristiano Metzner (Suco).

Outros dois partidos apresentaram candidatos a vereador que apoiam Marcio Rauber, um deles é o AVANTE que apresentou 3 candidaturas, é provável que o Cabo Cordova principal liderança do partido faça uma boa votação, mas dificilmente vai conseguir fazer legenda e mesmo na sobra será uma tarefa extremamente difícil para o partido apadrinhado por Hussein Bakri eleger um vereador.

Já o PL do candidato a vice-prefeito Ilário Hofstaetter (ILA), apresentou uma chapa com 13 candidatos, o partido liberal como todos os outros contou com desistências na última hora, o que enfraqueceu a sigla que deve eleger de forma direta apenas 1 vereador e vai buscar a segunda cadeira na câmara na sobra. Entre os candidatos o favorito é o experiente Portinho, a família Port é presença constante na vida pública rondonense nas últimas 3 décadas. No entanto não é uma tarefa fácil, pois o partido conta com lideranças promissoras como Clara Mecia, Rafael Heinrich e os advogados Jean Martins e Antônio Marcos de Aguiar.

Na outra ponta do panorama político rondonense está o PSOL que vem para sua quarta eleição municipal consecutiva, mas traz novidades e vem com objetivos ousados para essa eleição, diferente das outras agremiações que de uma forma ou de outra sonham em eleger seus candidatos o PSOL segue construindo as bases para se manter como partido atuante na vida política do município. A história do município aponta que aqui as candidaturas de esquerda nunca tiveram uma boa aceitação, nem o Partido do Trabalhadores (PT) nos melhores anos a frente do governo federal e a frente da Itaipu que é um gigante da ação do desenvolvimento da região oeste foi capaz de eleger um vereador de esquerda em Marechal Cândido Rondon.

O PSOL inicialmente mudou a estratégia, substituiu Maicon Palagano por Luciano Palagano na disputa majoritária, Luciano sempre teve mais presença política e em virtude dessa atuação destacada foi vítima de “fake news” em 2017 quando foram veiculadas informações de que ele seria um dos organizadores de “ocupações indígenas” afim de buscar demarcações de áreas rurais na região. Isso inclusive gerou ameaças de morte ao líder do PSOL, que posteriormente foram levadas a justiça e os autores foram condenados. Luciano gera em alguns grupos na cidade uma espécie de ódio sem explicação, já que a sua atuação é muito mais de solidariedade e auxílio aos indígenas da região do que propriamente a organização política ou qualquer tipo de nova demarcação, sobre tudo em Marechal Cândido Rondon.

A aposta do Partido Socialismo e Liberdade é no anti-bolsonarismo, por mais que o presidente da república seja muito popular em nossa região, a um sentimento crescente também de oposição ao mandatário. Pesquisas apontam que 20% dos eleitores consideram não votar em candidatos afinados com o Bolsonarismo, de olho nesse número o PSOL se organizou para fazer a sua maior votação e ultrapassar os 1030 votos da eleição de 2008.

Além da candidatura de Luciano Palagano e Paulo Goehl para prefeito e vice, o PSOL apresentou três candidaturas a vereador: Maicon Palagano, Adriano Lipsch e Elisa Koefender. O partido encarou muitas dificuldades para apresentar candidaturas a vereança, algumas lideranças que se colocaram como pré-candidatos não conseguiram confirmar suas candidaturas devido a pressões externas relacionadas principalmente a visão ideológica do partido e as relações de trabalho. O PSOL chega para sua quarta eleição com uma chapa menor do que em 2016, no entanto, as condições em 2020 parecem estar mais favoráveis a consolidação de uma boa votação para um partido de esquerda em uma das cidades mais conservadoras do estado do Paraná.

Essa é a minha leitura do jogo político que está prestes a começar oficialmente, procurei analisar de forma leve e transparente a disposição das peças no tabuleiro, tudo agora depende dos atletas que praticam esse jogo chamado eleições municipais.

Boa sorte a nós todos nessa jornada e que a democracia seja fortalecida durante o pleito eleitoral. Usem máscara, higienizem as mãos e tenham muita atenção com as “fake news”.

Que comecem os jogos!

 

Coluna assinada por Fernando Nascimento – Apresentador do Café&Política

*Esse artigo não representa, necessariamente, a opinião do AquiAgora.net



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