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Olimpíada de Tóquio é marco da política pela igualdade de gênero – 22/02/2021 – Edgard Alves

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Seiko Hashimoto, 56, a nova chefe do comitê organizador da Olimpíada de Tóquio, não está apenas compromissada com as atividades dessa função no grande evento esportivo internacional. Ela vai tentar avançar bastante na questão da igualdade de gênero.

Embora tenha pouco tempo pela frente até a abertura dos Jogos, em 23 de julho, Hashimoto, que atuava desde 2019 como ministra para o empoderamento das mulheres e como ministra olímpica, pretende elevar de 20% para 40% o total de funcionárias no quadro do comitê.

Caso isso ocorra, ninguém poderá criticá-la. Afinal, ela foi convidada para assumir o cargo durante a emergência provocada pelo pedido de demissão, em 12 de fevereiro, de Yoshiro Mori, 83, que deixou o posto por causa da repercussão negativa e alvoroço mundial de suas declarações sexistas.

Na contramão dos novos tempos, Mori, ex-primeiro-ministro japonês, extrapolou ao afirmar em entrevista coletiva que mulheres não servem para funções executivas porque falam demais, fato que seria prejudicial ao andamento de reuniões. O dirigente estava no comando do comitê desde 2013, quando foi concedido a Tóquio o direito de realizar a Olimpíada.

Além disso, pesa a favor de Hashimoto o empenho do COI (Comitê Olímpico Internacional) nas últimas décadas em busca do aumento da participação das mulheres no movimento olímpico e nos Jogos. A entidade chegou a destacar, com empolgação, estimativas de um possível equilíbrio de gênero dos competidores em Tóquio.

Hashimoto, por sua vez, tem experiência na área de esportes. Participou de sete Olimpíadas de Verão e de Inverno, no ciclismo e na patinação de velocidade.

Para evitar polêmicas durante sua permanência no comando dos preparativos dos Jogos, Hashimoto está se desligando do Partido Liberal Democrata, liderado pelo atual primeiro-ministro, Yoshihide Suga.

Agora, três dos cargos mais importantes relacionados aos assuntos olímpicos são comandados por mulheres: a governadora de Tóquio (Yuriko Koike), a nova ministra olímpica (Tamayo Marukawa) e Seiko Hashimoto.

Em contrapartida, no comitê organizador, apenas 7 dos 34 membros do conselho são mulheres. O balanço não deixa de ser uma expressiva mudança no histórico comportamento machista dos japoneses.

Apesar do vexame perpetrado por Mori com suas desastradas declarações, Hashimoto admitiu ter o dirigente sido seu mentor no mundo da política e que ele acumula grande experiência na área de esportes. Quando precisar de algum conselho, ela disse que vai recorrer ao cartola.

Em seu primeiro discurso no novo cargo, ela pediu aos integrantes do comitê união como “um time” diante das dificuldades. Coincidentemente, o lema “um time” foi utilizado na Copa do Mundo de Rúgbi, realizada em 2019 no Japão por empenho e reivindicação de Mori.

Como é do conhecimento geral, a Olimpíada de Tóquio acabou adiada em um ano e reprogramada para julho próximo por causa dos riscos de contaminação do novo coronavírus. A pandemia continua pavorosa, ceifando vidas, e pesquisas com a população japonesa indicam uma queda no índice de apoio aos Jogos.

A Olimpíada foi adiada, mas não está confirmada. Representantes de mais de duas centenas de países devem participar do evento em Tóquio. Por isso, Japão e COI, os responsáveis pelos Jogos, estão na dependência do êxito da vacinação mundial, que poderá conter a pandemia.

Março é decisivo para a derradeira tomada de posição. Vai ou não ter Olimpíada? No momento, é pergunta sem resposta.


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