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Política, corrupção e ética | O TEMPO

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Uma das convicções mais arraigadas do pensamento de esquerda é a de que o combate à corrupção é um equívoco ou, quando muito, uma das últimas prioridades na vida política nacional. Seja porque entendem que a corrupção, sendo intrínseca ao capitalismo, desaparecerá com a revolução proletária, seja porque o seu combate sempre esteve associado ao discurso da direita, notadamente o da velha UDN.

Um novo e desconcertante elemento nesse tema veio reforçar tal convicção: a prisão de nomes consagrados, para não dizer sagrados, dos governos de esquerda.

Circula nas redes sociais um vídeo em que em que um cidadão afirma que “a questão não é honestidade versus corrupção. Política não é centralmente uma questão de ética, é essencialmente uma questão de interesses”, e toma isso como mote para desfiar um rosário de verdades sobre os interesses em jogo no atual governo. Ele termina o vídeo por culpar o eleitor que, num país tão desigual, vira massa de manobra de bandidos e demagogos. Ora, como evitar que a política deixe de ser apenas um jogo de interesses e passe a incorporar um mínimo de princípios éticos?

Os eleitores, mesmo os mais politizados, não têm bola de cristal para depositar seu voto num candidato e, muito menos, num partido que o represente plenamente. Todos nós já erramos, até por falta de escolha. O combate efetivo à corrupção, com prisões e afastamento de políticos e seus comparsas, tem a virtude de inibir o assalto aos cofres públicos, desencorajar o crime e, consequentemente, depurar a vida política nacional. Há quem diga que a causa da bandidagem e da corrupção é a falta de res pública, é a falta de boa política. Mas quem vai promover a boa política? Já tentamos fazê-lo, mas fomos redondamente enganados com os desmandos, os escândalos, os assaltos aos cofres públicos, as alianças escusas e a ruína econômica. Voltamos a uma “nova” velha política com alianças impensáveis no desmantelamento do aparato de combate à corrupção. Uns para defender a família ou a si próprio, outros para manter fora da prisão seu ídolo maior e proteger correligionários.

Um professor doutor, politicamente moderado, argumenta que o combate à corrupção é uma inversão do problema e que sua causa é a ausência de sentido público na política. Ora, quem vai imprimir sentido público a uma vida política degradada senão as próprias instituições públicas incumbidas de combater o crime organizado e de colarinho-branco que o atual governo busca esvaziar com o beneplácito de uma oposição de esquerda cada vez mais desacreditada? Em uma palavra, o combate à corrupção na percepção das esquerdas é tido como puro “moralismo”, no pior dos sentidos, de uma classe média vista com desdém por seus por seus próprios rebentos politicamente radicalizados.



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