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‘Triunfo da velha política’, diz Moro após Bolsonaro citar fim da Lava Jato – 07/10/2020

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O ex-juiz Sergio Moro criticou hoje o possível fim da Lava Jato horas depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar ter acabado com a Operação porque, segundo ele, “não existe mais corrupção” em seu governo. (Assista ao vídeo acima)

Nas redes sociais, Moro disse que as tentativas de acabar com a força-tarefa representam a volta da corrupção e um triunfo da velha política.

“As tentativas de acabar com a Lava Jato representam a volta da corrupção. É o triunfo da velha política e dos esquemas que destroem o Brasil e fragilizam a economia e a democracia. Esse filme é conhecido. Valerá a pena se transformar em uma criatura do pântano pelo poder?”, escreveu o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

Apesar da fala de Bolsonaro, a prerrogativa de encerrar a Lava Jato não é do Poder Executivo, mas da PGR (Procuradoria-Geral da República (PGR). A possibilidade de encerramento da força-tarefa de Curitiba em janeiro de 2021, como previsto pela PGR, lança incertezas sobre o futuro de uma série de investigações ainda em andamento e tem mobilizado procuradores da equipe a agir pela continuidade da operação, como noticiou a Folha.

O procurador da Lava Jato Roberson Pozzobon disse, em entrevista à CNN Brasil em setembro, que “é impossível” encerrar até janeiro as mais de 400 investigações em curso na Operação.

76ª etapa da Lava Jato ocorreu hoje

Com 76 etapas deflagradas desde 2014, a operação Lava Jato frequentemente usa elementos obtidos durante a investigação para montar o quebra-cabeças com evidências ao apresentar novas denúncias e pedir maior apuração de seus desdobramentos.

Em setembro, a subprocuradora Maria Caetana Cintra dos Santos, do Conselho Superior do Ministério Público Federal, prorrogou por um ano a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, em uma decisão liminar que contraria a cúpula da Procuradoria-Geral da República.

Na manhã de hoje, a Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Lava Jato, batizada de “Sem limites III”. Os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro. As ações, segundo a corporação, tiveram como objetivo aprofundar as investigações sobre supostas práticas criminosas cometidas na diretoria de Abastecimento da Petrobras, especificamente na gerência executiva de Marketing e Comercialização.

Em seis ano e meio, a lista de pessoas condenadas na operação Lava Jato foi marcada nomes importantes como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro José Dirceu, o empresário Marcelo Odebrecht, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-governador Sergio Cabral e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, entre outros.

Eleito com discurso de apoio à Lava Jato

Bolsonaro foi eleito em 2018 com um discurso de total apoio à Lava Jato, à moralização e ao combate à corrupção. Em novembro daquele ano, por exemplo, Bolsonaro escreveu que “os que hoje se colocam contra ou relativizam a Lava Jato, estão também contra o Brasil e os brasileiros. Todo apoio à operação que está tirando o país das mãos dos que estavam destruindo-o!”

Após eleições, o presidente convidou o então juiz da força-tarefa Sérgio Moro para fazer parte do seu governo. Moro, no entanto, anunciou a sua saída em abril deste ano após a exoneração do diretor-geral da PF (Polícia Federal) Maurício Valeixo, profissional de confiança do ex-juiz.

Na ocasião, Moro afirmou que Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal. “O presidente queria ter alguma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações”, falou. “E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação.”.

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